17 de set de 2011

Lágrimas Enxugadas

Atravessei a rua, cruzei o rio. Ao ver o portão não acreditava no que via:
Aquele que eu via com preconceito o portão abria, pensei:
- “Me abre o portão aquele que eu julgava como impuro?”
Passei, mais adiante vi aquele que eu zombava,
escarnecia por sua condição física, mental. Eu, arrogante me achava 
superior a ele e ele ali de pé
ao lado me olhava com um sorriso me acenando,…

Não… isso me esbofeteava,… fingi que não vi abaixei a cabeça.



Do lado esquerdo uma árvore linda e pegando seu fruto alguém,… espere…
era aquele pobre mendigo, coitado, morador de rua que empurrei, 
não liguei, não servi, não amei…
De novo desviei a face, desconsertado, 
quando então reparei que a rua que eu estava era de ouro!
- “Meu Deus, onde estou?”
- “Exatamente!”
Respondeu aquela jovem… Prostituta… que usei… Ela também estava lá.

Então varias crianças me cercam, me abraçam, fazem festa…
Consigo também reconhecer seus rostos,
são aquelas crianças que não ajudei, não abraçei, não ensinei,,
todas com flores a me dar
as mais lindas do mais lindo jardim. Não, não posso aceitar! 
Corri, não aguentei…
Eu sentia que as lágrimas tentavam correr meu rosto mas eram 
imediatamente enxugadas.
Correndo, tropecei, mas antes de cair alguém me segurou a mão.
Era aquele que estava doente e não visitei, trôpego perguntei:
- “Porque?”
Ele me respondeu:
- ”Sempre!”
Não entendi, larguei sua mão, corri o mais depressa que pude, eu tinha que sair dali!
Parei a beira de outro rio, suas águas cristalinas, 
vi que as águas levavam a um lugar muito brilhante,
segui.
Chegando la forte era a luz!
Um portão, olhei, tive medo, recuei, me virei para sair quando então ouvi,…
Ouvi o meu nome sendo chamado do lado de dentro do portão:
- “Entre!”
A voz dizia.
O portão abriu, tive medo, uma Luz mais forte ainda veio de dentro,
com a face no chão cai, Clamei:
- “Misericórdia!”…
Alguém caminha em minha direção:
Então senti uma mão pegando na minha e eu soube:
- ”É Ele… Olho sua face? Serei punido, o que faço?” Pensei.
- “Olha para mim!” Ele disse.
Como se fosse fácil encarar o que fui, meu egoísmo, 
minha ganancia, meu pecado,
minha vergonha…
- “Olha para mim!”
Ele repetiu…
As lágrimas corriam sem parar mas eram enxugadas, não entendia, olhei!
Vi sua face… Só vi amor em seus olhos… Não entendi.
- “Olhe ao seu redor!” Ele disse …
Então vi… vi uma mesa posta uma grande ceia, vi também outras pessoas…
espere… são pessoas que amei, crianças que ensinei, pobres que ajudei,
enfermos que orei, presos que visitei…  
MEUS PAIS !!! MEUS PAIS, QUE HONREI!!!
Então virei para Ele e disse:
- “Mas…” Porém Ele colocando a mão no meu ombro disse,
me interrompendo:
- “Para que você SEMPRE se lembre quem era, e que
EXATAMENTE no dia que me conheceste, você decidiu e eu te mudei!”


Ajoelhei,… Ele também,…. O abracei, Ele também a mim…


E nos meus olhos:

Lágrimas Enxugadas.










Autor:


Alexei Welte

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